sexta-feira, 16 de abril de 2010

Apague a luz, mas não me deixe só!


Você já parou para pensar em seu maior medo? Aposto que sim. E eu tenho quase certeza que se eu te fizesse exatamente esta pergunta agora você me responderia: ficar sozinho.
Vamos pensar juntos, quando se é criança, qual seu maior medo? Ficar sozinho em casa, dormir sozinho, tomar banho sozinho, qualquer coisa que não tenha a companhia de alguém.
Quando se é adolescente, o que você mais deseja? Ser aceito pela maioria, tem pavor de andar sem ninguém, ou seja, medo de ficar sozinho.
E quando tu cresce e te transforma num adulto bem resolvido,tudo certo não é mesmo? Não! Você até passa um tempo aproveitando a vida com os amigos, saindo para tudo quanto é festa ou indo a um barzinho, mas a vontade de achar alguém, a pessoa da tua vida, com quem tu possa acordar todos os dias, cresce a cada dia que se passa. Ora, ora, e o que é isso? Medo de terminar sozinho!
Do pavor que a solidão causa ninguém escapa, ela é o bixo papão que te assombra todas as noites.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

-Ei seu moço,

Poderia fazer o favor de me escutar? Eu lhe imploro, preciso de ajuda para fugir! O senhor não imagina pelo que ando passando. Sabe o que é? É que eu tenho uma dona louca! Ela me difama, diz que eu sou burro, que eu não sirvo para nada e que só sei fazer besteira; fala o tempo inteiro que se pudesse me abandonava, me trocava, ai seu moço, o srº sabe o quanto dói isso? Quando alguém vai dizer para ela que eu sou puro e bom, ela diz que a pessoa está enganada, que ela é que sabe o trabalho que dou e a inutilidade que tenho, que eu só trago dor de cabeça.
Eu acho que não vou resistir, ela diz que a culpa é minha, que não gosto dela que e que faço tudo de propósito.
Ai ai ai seu moço, estou perdendo todas as minha forças. Estou sofrendo, esmagado, sangrando, ferido, fui apunhalado! Será que ainda dá tempo de um nova ilusão?
Aaaaaii seu moço, não aguento, tá doendo, eu vou morrer, vou morrer de amor!


(últimos momentos de um coração)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Coração,

Aqui venho eu novamente te trazer queixas. Da última vez em que lhe escrevi usei de toda a minha sinceridade e lhe disse tudo o que você precisava ouvir, achei que tivesse adiantado, pois você pareceu ter tomado consciência de seu lugar e ter sossegado. As aparências enganam não é mesmo?
Quer saber? Eu já entendi, o problema é comigo, não é? Já percebi, você não me suporta, me detesta, gosta de me vê sofrer, não é isso?
Ah, eu tentei, tentei tanto ter uma boa convivência contigo; teimei em te aconselhar, te avisei sobre os perigos que estava correndo, te mostrei o caminho certo, tentei te convencer a fazer o melhor, mas você é tão cabeça dura, tão teimoso.
Céus, como você é prepotente, acha que sabe de tudo, que tem sempre a razão. Quando será que vai desistir dessa conversa de amor? Ai coração, você não toma mesmo jeito!


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ao meu melhor amigo

Te carrego para cima e para baixo, seja quando você é romântico, está misterioso ou quando fala da vida alheia. Não posso pensar na ideia de te perder e se te empresto para alguém, tem de se tratar de gente de minha inteira confiança, para que possa te receber de volta do jeito que nasceu.
Não tenho como agradecer as diversas vezes em que me deste lições de vida e de moral, as muitas em que fizesse de sua história minha vida; agradeço também pelos sorrisos que me arrancou a até mesmo pelas lágrimas que me fez derramar. Ninguém ensinou-me mais que você, coisas da vida e do coração também.
Quero te dizer que eu nunca vou te deixar jogado por aí, que sempre te levarei comigo e guardarei em minha mente cada palavra que me contaste. E que falarei de ti por onde eu andar e para quem eu encontrar, direi como és capaz de encantar ou desencantar, como tem o dom de apaixonar ou decepcionar.
E se alguém me perguntar de que criatura tão maravilhosa falo, se perguntarem de quem se trata o meu melhor amigo, irei encher o peito de orgulho e responder: "meu melhor amigo é um livro!"

sábado, 10 de abril de 2010

E passa...

Você viu/soube que seu namorado/ficante estava com outra, chorou, comeu caixas e caixas de chocolate, viu todas as comédias românticas que havia na locadora, releu milhões de vezes seu histórico de msn, passou a olhar todos os dias os recados dele e dela e se torturar com qualquer palavrinha, relembrar todos os beijos e todas as promessas que ele lhe fez e as que não lhe fez também.
E passa meses assim, fingindo que ta tocando a vida para frente, que aquilo passou, mas a cada dia, a cada hora, a cada minuto e até mesmo a cada segundo você fica remoendo aquela mágoa dentro de você e diz "filho duma mãe, desgraçado, infeliz, eu ainda te esqueço".
E aí amiga, bola para frente, vamos esquecer. Para isso tu vai em todas as festas, canta todas aquelas músicas que falam que passou e que ta em outra, chega até a beber, e olha só, se propõe a conhecer outros caras! Mas quando esse novo cara chega perto não sente o coração acelerar, quando ele olha em seus olhos você não sente borboletas no estômago e se ele chega a te beijar tu não vai nem no segundo andar, quanto mais no céu. E aí, o pensamento grita: "idiota, eu ainda te quero".
Só que num belo dia qualquer, você acorda com algo diferente, se sente bem, até bonita. Sente vontade de pular, de cantar, de dançar. Tem dentro de você uma alegria desconhecida que não tem ideia da onde veio. E sente também que alguma coisa mudou, algo não está mais ali. Êpa, não está esquecendo ninguém?

"Vai passar,tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?" (Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pouco a pouco desabamos

Impossível não ficar sensibilizado com a notícia que dominou todos os jornais de ontem: o desmoronamento de um lixão que matou aproximadamente cento e oitenta pessoas. Um acontecimento que nos tira todas as palavras, nos faz sentir o pior sentimento do mundo: a pena. E levantar as mãos para os céus agradecendo pela vida que ainda temos.
Não tenho dúvidas do poder que o conhecimento possui, ele pode convencer, mudar uma ideia/opinião ou uma situação. E eu me pergunto, por que não é usado quando preciso? Todas as imagens que eu vi não me chocaram tanto quanto o que ouvi: "as autoridades sabiam do perigo e nada fizeram".
E será que estas criaturas que poderiam ter evitado toda essa tragédia conseguirão hoje colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente? Será que irão se arrepender ao vê todas aquelas pessoas que derramam lágrimas pelos familiares desaparecidos ou mortos? Ou será que ,como boa parte, esses "responsáveis" vão fazer como sempre: esquecer.
Ai Deus, o grande problema, é que as pessoas não costumam a aprender com seus erros.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da falta que sinto de mim

Hoje me senti vazia como nunca, olhei por todos os lados tentando encontrar meus pedaços espalhados, então pensei no que considero de maior importância.
Talvez pudesse ser a minha família que afastei de mim com a minha grosseria e impaciência, mas mesmo com esses detalhes irritantes e outros mais eles ainda permanecem ao meu lado; cogitei as possibilidades no campo das amizades, mas as que tive de mais importante também insistiram em continuar a acreditar que eu tenho jeito; lembrei do namorado, mas esse eu fiz questão de despachar, para bem longe, um bom tempo atrás.
Olhei depois para fora, percebi que tudo ainda estava da mesma forma de antes, os livros na estante, os porta-retratos ao lado da cama, ursinho em cima do travesseiro, até mesmo as marcas das lágrimas derramadas em noites regadas pelos dramas permaneceram intactas.

Mas o que está faltando? Resolvi então voltar para uma nova viagem por meus pensamentos e por meu coração, vi então as feridas ainda abertas, as mágoas remoídas, as saudades acumuladas e a sensibilidade perdida, me dei conta das mutações que sofri, do meu regresso, passei de borboleta a lagarta. E comecei a entender como me perdi de mim!