Ei, vem aqui. Entre agora por essa porta e diga que tudo foi mentira,
que nada do que a gente disse no momento de raiva importa, que foi tudo da boca
para fora. Só mais uma discussão. Me pede perdão e me cala as desculpas com um
beijo. Me abraça e fala que nunca mais vai me deixar aqui sozinha, essa casa –
a minha vida – fica muito vazia sem você aqui para brigar comigo e dizer que me
ama. A gente não tem o tempo inteiro e rancor é coisa pequena demais para todo
esse nosso amor. Eu sei que você é orgulhoso, até mais do que eu; que é cabeça
dura e que não quer se deixar render por essa minha teimosia. Mas também sei
que o que você sente por mim não termina meia hora. Eu sei: você não sabe me
esquecer. E quer mais? Eu também não sei deixar de te lembrar a cada minuto.
Por isso, deixa de besteira daí que eu deixo daqui. E se rende, que eu já estou
para lá de rendida.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Amar quando a gente não ama
Quando a gente não ama tudo parece ridículo, absurdo. Quando a gente não
ama os outros aceitam demais, são pegajosos demais, bobos demais. Desperdiçam
tempo, mereciam algo melhor, muito melhor. Quando a gente não ama, os outros ficam
cegos e é tão fácil abrir os olhos. Quando a gente não ama, os outros têm
relacionamentos errados e não sabemos por que eles não saem e progridem na
vida. Quando a gente não ama esquecer é somente questão de força e amor
próprio. Quando a gente não ama a gente, sem saber, condena erros que cedo ou
tarde iremos cometer.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Ei, eu te amo
Você acabou de sair daqui. Tentou a todo custo saber o motivo de mais
uma zanga minha, eu te disse que não era nada. Veio na ponta da língua, mas eu
não disse.Talvez porque não fosse nada mesmo. Você me deu beijo, me pediu para sonhar
contigo e eu fiquei te olhando entrar no carro. Você saiu e eu continuei ali,
prestando atenção no caminho que você começou a seguir. Me arrependi. Devia ter
te pedido para ficar, se não a noite toda, ao menos mais um tiquinho. Mas eu
calei, como sempre. Entrei, fechei a porta e tentei sentir seu cheiro na sala.
Impossível não senti-lo, ele ainda está em mim. Deitei no sofá e comecei a
assistir aquele programa que você me recomendou. Sabe o que eu consegui concluir com ele? Que sou
orgulhosa demais e que isso, às vezes, acaba atrapalhando o clima gostoso que a
gente tem. Só fazem vinte minutos que você saiu daqui, não tem trânsito, sei
que já chegou em casa. Te ligo e dou uma desculpa qualquer, você me atende com
aquela sua voz linda de sono. Meu coração aperta, quero você perto, quero dizer
que te amo. Não sei o que é, só sei que sinto uma pontinha de raiva - queria
você aqui, o tempo foi pouco. Te digo que o sono chegou, você me lembra que
marquei compromisso de sonhar contigo, me sinto boba. Aí, garoto esperto, você
me faz pensar ainda mais. Até começo pensando que eu não deveria estar assim,
você já me fez chorar. Já me deixou confusa por demais quando resolveu brincar
com o que eu sentia, uma vez. Me irrita profundamente todas as vezes em que me
encontra, me esgota toda a paciência. É teimoso, criança,difícil.Me faz vítima
do ciúme o tempo inteiro. Me deixa sem
saber o que fazer e põe por terra tudo o que eu tinha certeza ser verdadeiro.
Só que aí, lembro também que existe outro lado, que a verdade tem duas faces.
Você já me arrancou um bocado de lágrimas sim, mas já limpou outro bocado delas
na sua camisa com um abraço apertado. Mesmo impaciente, acha em algum lugar aí
dentro uma paciência do tamanho do universo para lhe dar com essa pessoa nada
fácil que sou e com essa minha incostância. Lembro, com certa mágoa, das vezes
em que me machucou. Mas me lembro também daquela vez em que eu birrava por uma
crise de cúme e você me arrancou a força do sofá no colo, me levou para o
quarto e me fez lembrar que entre nós tem algo forte demais. Daquela outra em
que fiquei doente e você cuidou de mim, assim como cuida pouco a pouco dessas
feridas que eu ainda trago no peito. Reconheço que muito você já gastou com
chocolates para curar uma TPM. Não esqueço de como você me incentiva e
aconselha, dizendo sempre com aquela sua carinha linda que só quer o meu bem.
Ah bem meu, quero te ligar de novo. Dizer tudo isso. Mas já são três da manhã e
sei que sem seu sono bem dormido você não é nada. Agarro o travesseiro com
força, fingindo que é você. E sussuro baixinho tudo que queria dizer - 'ei,
eu te amo'.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Mulheres inteligentes e corações burros
Você é bonita, tem um papo legal, um gosto musical refinado, adora ler, não tem frescura alguma, gosta de futebol, bebe uma cerveja, sabe cozinhar, não tem preconceitos- é livre dessas chatices de agradar a sociedade, é simpaticíssima e indiscutivelmente inteligente. Mas não, você não é perfeita. Tem um defeito enorme, quase que imperdoável, que faz as pessoas olharem para você e se perguntarem se você não precisa urgentemente de um tratamento ou choque de realidade: você gosta do tal do cara errado.
Você tinha esquecido alguns babacas que te fizeram sofrer e de repente ele apareceu. Mas você possuía dentro de si aquela barreira e aquele medo de se entregar de verdade ou outra vez. Ele sorriu. E aí garota, você decidiu que era a hora de se doar. Mas de se doar de verdade. Porque dessa vez você faria diferente, a mulher difícil ficaria para trás e você pegaria as malas para ser feliz.
No começo, tudo deu certo. Você cedia um pouco daqui, se fechava um pouco dali. Pimba. Conquistou o coração dele. Fez ele ficar de quatro, te mandar mensagem de bom dia, te dar flores e ser o genro dos sonhos da sua mãe. Então aí, você confirmou a sua teoria e viu que ele era o cara certo na hora certa. Se entregou, deu tudo de si para ele, passou a corresponde-lo com toda a sua ardência e intensidade.
Mas aí gata, ele tropeçou em uma pedra no meio do caminho e teve uma amnésia. Você estava ali, prontinha para ser tudo o que ele tinha dito querer, uma paixão só; mas ele não te reconheceu. Você tentou fazer com que ele se lembrasse quem era você. Aquela, aquela mesmo que ele dormiu abraçado, aquela que ele levou café da manhã na cama e chocolates na hora do almoço, aquela com quem ele disse que queria ter dez filhos, três cachorros e um casal de papagaios. Mas por mais que você o sacuda e tente relembra-lo com toda a dedicação da sua vida, ele não consegue.
Passa a te deixar sozinha com uma panela de brigadeiro aos sábados, faz questão de andar bem longe de você em público, não abre mais a porta do carro, tem sempre uma grosseira na manga. As suas amigas, segundo ele, estão todas ruins da vista e o confundem sempre com outro cara que estava na balada com uma nova piriguete; te deixa borrar sempre o rímel e esquece de te borrar o batom. Para ele, você passa a ser tão visível quanto o ar que ele respira, e a sua sogra demonstra te amar bem mais do que o lindo filho dela .
Você pensa ser a tal da primeira crise. Assiste a algumas comédias românticas e pensa que o amor, o amor que você tanto insistiu para descer goela abaixo, vai prevalecer no final. O tempo vai passando. Vez ou outra ele tem um lapso de "bondade" e você jura que ele é aquele da primeira semana de namoro. Mas aí, se passam alguns segundos e você reconhece o canalha de cada dia. Você aprende a baixar a cabeça para tudo que ele faz, tem sempre uma desculpa pronta antes que ele venha com as esfarrapadas dele, perde o contato com as amigas e se agarra a esse amor tão doido, ficando cada vez mais vazia. As pessoas te olham e coxixam. Você sabe o que é. Fica mal. Quando chega em casa, sozinha, coloca aquela música bem alta, berra acompanhando que tudo acabou, que vai deixa-lo, só para ver se sua mente absorve. Se olha no espelho e se pergunta como foi que de Cinderela você regrediu para gata borralheira. Deita na cama e chora aquele choro doído, desesperado de quem não encontra solução. Questiona mil e uma vezes o que você está fazendo e se responde logo: "burra, burra, burra" e promete, mais uma vez, que vai larga-lo. Pensa que deveria ter estacionado bem antes, mas roda, roda e não encontra vaga na rua da lucidez. É amiga, sabe qual o grande problema? É que você e o resto do mundo não entendem o quão burro é esse seu coração teimoso.
sábado, 27 de outubro de 2012
Tchau, amor
Ninguém deixa de amar outra pessoa ao meio dia de uma quarta-feira nublada. O amor não começa, e muito menos, termina de repente. As coisas começam e se findam aos poucos. Muitas palavras, pouca atitude. Muita mágoa, outro alguém; falta de interesse ou, como no meu caso, um enorme cansaço traz pegado a mão o fim de um amor.
Não é falta de vontade, acredite. Se fosse por mim estaríamos até hoje vivendo naquele clima de primeira semana de namoro. Mas é que nasceu em mim uma preguiça de nós. Procuro mais ou menos quando. Mas acho que não preciso cometer o pecado do pleonasmo ao repetir que o amor não tem data certa para ir embora. Não me olhe desse jeito como quem quer se arrepender, tentando me fazer ficar. Já é hora de ir embora.
Ah, por favor. Não ouse dizer que não entende. No fundo, você já previa. Não acreditava muito no seu dom de adivinhar o futuro, no entanto, sabia que eu não demoraria a partir. Ainda insiste? Tudo bem, quer mesmo saber? Então escute agora. Sem interromper; aliais - odeio suas interrupções. Vamos lá.
Eu já disse: cansei. Não faça essa cara de espanto, fingindo não ter ideia do que se trata. Saiba que as suas grosserias camufladas por falsas brincadeiras me magoaram sempre, ainda mais pela sua sonegação de elogios. Perdi a paciência para os seus programas e planos que quase nunca tinham espaço para mim. Não vi mais graça no meu medo de te perder, já que você nunca esteve em minhas mãos. Me dei conta de que nenhum homem tem tantas amigas assim, e de que eu sou bem melhor que todas elas juntas. Já acho seu ciume fingido a coisa mais ridícula do mundo, não me ofende mais. Cansei de estar contigo e ser carente. Abri os olhos e vi que sou boa demais para isso. Não sou eu quem vai perder aqui, amigo.
Quer que eu diga mais? Não espero que você dê um único passo em minha direção. Você é fraco e não tem munição suficiente para lutar pelo meu regresso. Tenho a certeza de que você vai ficar parado exatamente aonde está agora.
obs: foto retirada do facebook Caio F e Clarice Lispector
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Ai meu Deus, Ai meu Jesus
Ai meu Deus, Ai meu Jesus - crônicas de amor e sexo/ Fabrício Carpinejar. -Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012
Ai meu Deus, Ai meu Jesus, como diz o subtítulo, é um maravilhoso livro escrito por Fabrício Carpinejar que fala sobre amor e sexo. Em suas deliciosas crônicas o autor entra na alma do leitor, em especial na alma das leitoras . Trata sobre sexo e casamento, encontro e sentimentos ardentes dos amantes apaixonados, a dor de um amor não correspondido, o desejo que as mulheres tem em ser desejadas e mais outras gostosuras. Se revela, colocando a sua essência no livro e acaba fazendo com que quem leia se encontre em suas palavras. Vale à pena se lambuzar!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Só na malandragem
Dizem as boas línguas que a justiça tarda mas não falha. Talvez sejamos nós seres humanos apressados por demais e queiramos (considero eu que não muito depressa) que a justiça, em especial a dos homens, não se demore a fazer. E é assim que segue o Brasil - ansioso, afoito e que pena que quase desacreditado da nossa boa e duvidosa justiça brasileira.
Nesse momento, muito de nós nos entreolhamos calados e silenciosamente gritando:"será que outra vez vamos sendo levados pelo tal jeitinho brasileiro? Será que outra vez nesse jogo de muitos interesses somos driblados pelo interesse de poucos? Ou será que é só pegadinha do malandro?". E é aí que a voz se faz presente e a dúvida fala pela língua da indignação:"cadê a nossa ficha limpa, camarada?".
Uns preferem se acomodar e soltar o preguiçoso "eu já sabia". Mas felizmente e para alegria geral da nação, outros tantos não se contentam. Podem até dividir-se em dois grupos - os que ainda fazem fezinha e acreditam que a justiça tardará mas não falhará; e aqueles outros que acreditam somente na justiça do voto.
Eu, não sei se de ingênua ou esperançosa, prefiro acreditar nas duas. "Homens de justiça" farão o que o Brasil inteiro pediu e resultou na lei da ficha limpa, mesmo que 48 horas antes da eleição. Mas sei também, que a justiça do povo também não se negará a acontecer nas urnas. E sendo então assim, candidato ficha suja vai sendo esquecido, mesmo que devagarinho, mesmo que do jeitinho brasileiro.
Nesse momento, muito de nós nos entreolhamos calados e silenciosamente gritando:"será que outra vez vamos sendo levados pelo tal jeitinho brasileiro? Será que outra vez nesse jogo de muitos interesses somos driblados pelo interesse de poucos? Ou será que é só pegadinha do malandro?". E é aí que a voz se faz presente e a dúvida fala pela língua da indignação:"cadê a nossa ficha limpa, camarada?".
Uns preferem se acomodar e soltar o preguiçoso "eu já sabia". Mas felizmente e para alegria geral da nação, outros tantos não se contentam. Podem até dividir-se em dois grupos - os que ainda fazem fezinha e acreditam que a justiça tardará mas não falhará; e aqueles outros que acreditam somente na justiça do voto.
Eu, não sei se de ingênua ou esperançosa, prefiro acreditar nas duas. "Homens de justiça" farão o que o Brasil inteiro pediu e resultou na lei da ficha limpa, mesmo que 48 horas antes da eleição. Mas sei também, que a justiça do povo também não se negará a acontecer nas urnas. E sendo então assim, candidato ficha suja vai sendo esquecido, mesmo que devagarinho, mesmo que do jeitinho brasileiro.
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