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sábado, 14 de maio de 2011

Homem-do-saco e outros medos

Quero leite gelado; to sem sono. Me lê uma estória? Não consigo dormir. Acho que eu to com medo. Mãe, você vai me abandonar em um orfanato se tiver outro bebê? Não me deixa, por favor, eu to com frio. Deita comigo, vai. Mas promete que não vai sair daqui quando eu pegar no sono? Eu acho que ouvi um barulho, acho que o Homem-do-saco tá lá no portão, ou será que o Bicho Papão veio me pegar? Não mãe, não olha; ele vai te pegar. Por que tenho de dormir agora, não quero ir para aula, e além do mais, eu já sou grande posso ficar acordada até tarde. Mãe, a senhora ainda tá acordada? O bichinho do sono ainda não picou, conta outra estória, aquela com o final feliz? Promete que nunca vai morrer, promete?
E quando eu crescer eu posso ser que nem a senhora? Mãe, e da aonde vem os bebês? Ah, então se eu plantar uma semente de melancia na barriga eu vou ter um? Por que não posso? Odeio ser pequena. As crianças nunca podem fazer nada, que chato.
Mãe, eu acho que to quase com sono, mas não apaga a luz viu?
 Mãe? Segura a minha mão. E não esquece: não sai do meu lado...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não se pede, não se mede e sempre se repete

Não fui esperada, vim de intrometida que sou; mas mesmo assim me receberam de braços abertos. Logo em minha chegada, chorei por toda a madrugada, fiz com que boa parte vocês perdessem o sono; e mesmo com muitas horas pela frente, me acalentaram e me trataram como se eu fosse a coisa mais preciosa deste mundo. Quando achei que pudesse dar meus primeiros passos e caí nunca faltava alguém para socorrer-me e dizer que ' foi só um pulinho', e ao mesmo tempo me deixaram entender que a queda faz parte da vida.
Quando cresci mais um tiquinho e tive vontade de voar, vocês me avisaram que as asas nascem aos pouquinhos e que era para eu ir com calma. Afoita, achei que não era assim, que podia me mandar do ninho e enfrentar o céu. Mas as pequenas asas que tinha não me deixaram levantar voo e o máximo que consegui foi alguns tombos bem feios. Voltei toda encharcada, doída, machucada e vocês não insistiram que tinham me avisado, não fizeram questão de me fazer pagar pelo que eu tinha de pagar, amenizaram a minha dor: colocaram alguns curativos em meu peito e me ninaram.
E mesmo quando eu ainda não enxergava o quão valioso vocês eram, não me mandaram embora, não deixaram que a recíproca fosse verdadeira e ,a meu contra-gosto, continuaram a me cuidar e zelar, me tratando com a tal da princesa da pedra fina*. Quando eu fui capaz de entender o que vocês realmente significam e voltei, novamente, correndo, doida para pedir perdão, me calaram. Mas não exigiram que eu me desculpasse, muito pelo contrário, trataram como se, toda a vida, eu entendesse isto.
Ah, meus verdadeiros amores, à vocês eu não tenho muito a agradecer, tenho tudo. Vocês é que construíram maior parte de mim, é que me feriram e me curaram, é que me ensinaram, me deram carinho, calor e amor. Família, é a vocês que eu devo tudo o que tenho, que sou; é por vocês que eu faço o que faço; é com vocês que eu quero e preciso seguir. Porque amor assim, só de família. E por mais que uma noite ou outra eu esteja fora de casa é vocês que carrego em meu coração. São a única certeza que trago, porque vocês sim: me tem e me pertencem.

*princesa da pedra fina é personagem principal de um estória que minha avó sempre costumou contar e me comparar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia do amor...

Desejava de alguma forma retribuir tudo que você já fez por mim. Não te devolver todos os presentes, ou de jeito qualquer devolver cada real que te fiz gastar; ou mesmo deixando que caísse em sono profundo para que pudesse recuperar as horas de sonhos que te roubei.
Procurei sentada a mesa, junto a uma forte xícara de café e a criatividade, que vez ou outra resolve me visitar, qualquer modo de te devolver o que já me proporcionou, tudo em dobro. Mas nenhuma luz piscou em minha cabeça dizendo o que fazer.
Queria muito mesmo poder te retribuir. Começaria a te agradecer de uma forma diferente pela vida; sem você, eu não estaria aqui. Mas não ficaria só no clichê, meu amor, queria te agradecer pelos primeiros passos que eu dei, principalmente, na vida; pelas histórias que aprendi a contar e as outras que ficaram guardadas comigo, no coração; pelos vários sorrisos, abraços, carinhos e beijos que sempre vinheram de ti. Ah, eu não poderia esquecer da minhas opiniões: as devo a você! Sim, meu bem, sem a sua influência jamais me atreveria a tentar entender, e até a gostar, de política; se não tivesse crescido rodeada da tua generosidade, talvez não fosse tão capaz de estender a mão. É isso aí, te devo a minha essência também.Princípios, valores, você não deixou que eles faltassem a mesa. E o amor, agradeço-te imensamente por tê-lo apresentado a mim, é tão triste saber que nem todos o conhecem. Também não posso deixar de mencionar a paciência e persistência, sempre a disposição, sempre pronto a emprestar-me!
Ah querido, nada ainda na cabeça; acho que a criatividade me deixou mesmo na mão! Ou quem sabe, não tem como se agradecer a um pai...

sábado, 6 de março de 2010

Sonho dos 18



Acho que todo mundo tem certa ansiedade para atingir a maioridade, uns para dirigir, outros para poder beber explicitamente e alguns por acharem que serão donos dos próprios narizes. Não sou diferente do resto, nesse aspecto, mas o meu sonho dos 18 é bem diferente: doar sangue.

Sei que isso pode parecer bem estranho para maior parte de vocês, meus leitores. Mas não vim aqui para falar dos meus planos, e sim para tentar mostrar um pouco da importância que tem essa doação. Também para pedir, ou melhor, implorar, que os que agora me lêem e preenchem todos os requisitos para ser um doador, assim o façam.

Muitas das pessoas que doam é porque possuem consciência de que milhares de outras necessitam daquele gesto de solidariedade para sobreviver. Já outras por adotarem aquela filosofia de ‘podia ser comigo’, não estou criticando quem pensa assim, só citando.

Sei que esse gesto causa medo ou até pavor em alguns, por conta de agulha, ou por achar que aquela quantidade de sangue vai fazer falta (e nós sabemos que não faz, não é mesmo?). Por falar em não- prejuízos, é bom lembrar que o sangue de quem doa também não sofre qualquer mudança, que não engorda e nem vicia.

Mas como toda coisa tem seu lado ruim, nem todos podem doar. E o pior é que muitas destes antes eram doadores ou tinham em mente ser, mas por força da circunstância não podem. Entre os impedimentos temos temporários, como: gripe/resfriado, febre, gravidez, uso de alguns medicamentos, etc. Só que infelizmente existem os permanentes, dentre eles: Hepatite após os 10 anos de idade, uso de drogas ilícitas injetáveis, malária, e outros. Também é bom lembrar o tempo entre as doações: para mulheres 90 dias (até 3 doações por ano), e para homens 60 dias (até 4 doações por ano).

Para terminar, eu peço encarecidamente aos que me lêem e possuem 18 anos/mais e não tem nenhuma “contra-indicação”, doem sangue. Tenho certeza de que a sensação de salvar a vida de alguém é bem gratificante, melhor que qualquer dinheiro. Quero ressaltar a que a quantidade de sangue tirada é irrisória e que é só uma picadinha, não vai doer nada!

Aos que quiserem mais informações: (86) 3221-8319/3221-8320 – HEMOPI

e www.hemopi.pi.gov.br