Mostrando postagens com marcador sempre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sempre. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de maio de 2011

Homem-do-saco e outros medos

Quero leite gelado; to sem sono. Me lê uma estória? Não consigo dormir. Acho que eu to com medo. Mãe, você vai me abandonar em um orfanato se tiver outro bebê? Não me deixa, por favor, eu to com frio. Deita comigo, vai. Mas promete que não vai sair daqui quando eu pegar no sono? Eu acho que ouvi um barulho, acho que o Homem-do-saco tá lá no portão, ou será que o Bicho Papão veio me pegar? Não mãe, não olha; ele vai te pegar. Por que tenho de dormir agora, não quero ir para aula, e além do mais, eu já sou grande posso ficar acordada até tarde. Mãe, a senhora ainda tá acordada? O bichinho do sono ainda não picou, conta outra estória, aquela com o final feliz? Promete que nunca vai morrer, promete?
E quando eu crescer eu posso ser que nem a senhora? Mãe, e da aonde vem os bebês? Ah, então se eu plantar uma semente de melancia na barriga eu vou ter um? Por que não posso? Odeio ser pequena. As crianças nunca podem fazer nada, que chato.
Mãe, eu acho que to quase com sono, mas não apaga a luz viu?
 Mãe? Segura a minha mão. E não esquece: não sai do meu lado...

domingo, 28 de novembro de 2010

PPT

A princípio éramos como cargas negativas: repelíamos-nos. Mas o tempo, como sempre, tem de passar e aprontar das suas presepadas irônicas, juntando a nós três, por tanto. Primeiro, fomos duas, depois três. Lembro exatamente do dia que vi cada uma de vocês, senti daquelas raivas sem sentido que sentimos de uma garota nova; só depois entendendo que me senti ameaçada, talvez, eu tenha percebido de imediato quanto brilho trazem vocês.

Por pouca coisa e muita afinidade nos unimos. Nem me lembro direito como isso começo, alguma coisa como festas e amores frustrados, talvez; foi coisa de pouco tempo para que descobríssemos que, na verdade, éramos cargas opostas: negativas e positivas, e que juntando o nosso melhor com nosso pior nos atraíamos.

A vida parece tão doce no início de uma amizade, não? Aliais, de qualquer relação. Jura para gente de pé junto que é para acreditar com toda fé, que vai dar certo, que o tal do para - sempre não é lenda: é sorte, e que fomos escolhidas. Se a danada dessa vida falou a verdade eu não sei, mas que a sorte me encontrou pegada a mão de vocês, ela me encontrou.

Sendo gentil, a vida, nos aproximou demais, separadas não éramos três, e sim 1/3 de um inteiro. Sabíamos mais da vida e dos sentimentos das outras do que nossos próprios; fomos fortes para sustentar dois problemas a mais, generosas para dar dois sorrisos a mais e bem inteligentes por termos de abrir mais dois espaços em nossos corações.

Mas acontece que esta moça gentil é casada com uma tal de distância, e ela, minhas queridas, não tem senso de humor e tem uma alergia danada a alegria alheia. Enxergam o que ela fez? Chegou no momento mais difícil que tivemos e puft, separou-nos. E querendo pousar de boa menina, essa maldita, deixou com que ficássemos duas a duas; apresentou-nos más companhias: a frieza, a mágoa, os ciúmes e a tristeza. Como não percebemos que tais amigos, eram amigos mesmo da onça, como não percebemos?

Fomos fracas, caras amigas, fraquíssimas deixando com que essa distância infeliz conseguisse fazer por verdade suas intrigas; falhamos (isso é verdade), mas é importante que enfatizemos a primeira pessoa do plural e nos esqueçamos da primeira e segunda do singular. Porque apesar dos conselhos dessa miserável distância, o para sempre (o nosso para sempre), ainda existe.

É essencial, irmãs queridas, que não façamos uso do sinal negativo, que optemos, de qualquer forma, pela adição (nada de uma a uma ou duas a duas); que nós estiquemos os braços e agarremos as mãos, porque no fim do nosso conto de fadas moderno ainda seremos, separadas, terço de um todo; e juntas – um inteiro de um todo. Não usemos de maneira alguma a palavra “fim”, evitemos a “saudades” e nos agarremos a “amizade”. Porque ao final de nossa comédia romântica, os príncipes vão-se embora e só ficam os nossos sonhos, aqueles – os mais bonitos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não se pede, não se mede e sempre se repete

Não fui esperada, vim de intrometida que sou; mas mesmo assim me receberam de braços abertos. Logo em minha chegada, chorei por toda a madrugada, fiz com que boa parte vocês perdessem o sono; e mesmo com muitas horas pela frente, me acalentaram e me trataram como se eu fosse a coisa mais preciosa deste mundo. Quando achei que pudesse dar meus primeiros passos e caí nunca faltava alguém para socorrer-me e dizer que ' foi só um pulinho', e ao mesmo tempo me deixaram entender que a queda faz parte da vida.
Quando cresci mais um tiquinho e tive vontade de voar, vocês me avisaram que as asas nascem aos pouquinhos e que era para eu ir com calma. Afoita, achei que não era assim, que podia me mandar do ninho e enfrentar o céu. Mas as pequenas asas que tinha não me deixaram levantar voo e o máximo que consegui foi alguns tombos bem feios. Voltei toda encharcada, doída, machucada e vocês não insistiram que tinham me avisado, não fizeram questão de me fazer pagar pelo que eu tinha de pagar, amenizaram a minha dor: colocaram alguns curativos em meu peito e me ninaram.
E mesmo quando eu ainda não enxergava o quão valioso vocês eram, não me mandaram embora, não deixaram que a recíproca fosse verdadeira e ,a meu contra-gosto, continuaram a me cuidar e zelar, me tratando com a tal da princesa da pedra fina*. Quando eu fui capaz de entender o que vocês realmente significam e voltei, novamente, correndo, doida para pedir perdão, me calaram. Mas não exigiram que eu me desculpasse, muito pelo contrário, trataram como se, toda a vida, eu entendesse isto.
Ah, meus verdadeiros amores, à vocês eu não tenho muito a agradecer, tenho tudo. Vocês é que construíram maior parte de mim, é que me feriram e me curaram, é que me ensinaram, me deram carinho, calor e amor. Família, é a vocês que eu devo tudo o que tenho, que sou; é por vocês que eu faço o que faço; é com vocês que eu quero e preciso seguir. Porque amor assim, só de família. E por mais que uma noite ou outra eu esteja fora de casa é vocês que carrego em meu coração. São a única certeza que trago, porque vocês sim: me tem e me pertencem.

*princesa da pedra fina é personagem principal de um estória que minha avó sempre costumou contar e me comparar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia do amor...

Desejava de alguma forma retribuir tudo que você já fez por mim. Não te devolver todos os presentes, ou de jeito qualquer devolver cada real que te fiz gastar; ou mesmo deixando que caísse em sono profundo para que pudesse recuperar as horas de sonhos que te roubei.
Procurei sentada a mesa, junto a uma forte xícara de café e a criatividade, que vez ou outra resolve me visitar, qualquer modo de te devolver o que já me proporcionou, tudo em dobro. Mas nenhuma luz piscou em minha cabeça dizendo o que fazer.
Queria muito mesmo poder te retribuir. Começaria a te agradecer de uma forma diferente pela vida; sem você, eu não estaria aqui. Mas não ficaria só no clichê, meu amor, queria te agradecer pelos primeiros passos que eu dei, principalmente, na vida; pelas histórias que aprendi a contar e as outras que ficaram guardadas comigo, no coração; pelos vários sorrisos, abraços, carinhos e beijos que sempre vinheram de ti. Ah, eu não poderia esquecer da minhas opiniões: as devo a você! Sim, meu bem, sem a sua influência jamais me atreveria a tentar entender, e até a gostar, de política; se não tivesse crescido rodeada da tua generosidade, talvez não fosse tão capaz de estender a mão. É isso aí, te devo a minha essência também.Princípios, valores, você não deixou que eles faltassem a mesa. E o amor, agradeço-te imensamente por tê-lo apresentado a mim, é tão triste saber que nem todos o conhecem. Também não posso deixar de mencionar a paciência e persistência, sempre a disposição, sempre pronto a emprestar-me!
Ah querido, nada ainda na cabeça; acho que a criatividade me deixou mesmo na mão! Ou quem sabe, não tem como se agradecer a um pai...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lágrimas,

Vocês não me escutaram? Já disse para ficarem quietas, não impliquem, não me desobedeçam. Fiquem quietas! Por favor, estamos na frente de tanta gente; juro que quando chegarmos em casa me tranco no banheiro e as deixo a vontade; se quiserem eu nem vou para debaixo do chuveiro e até olho para o espelho. Mas pelo amor de Deus, não me façam passar vergonha!
Ei, tu que vai caindo, dê meia volta! Meninas, eu sei que está doendo, mas não a sigam, eu imploro! Fiquem aonde estão, pelo bom Pai. Eu compreendo, mas não façam isso comigo.
Eu falo grego ou são surdas? Está todo mundo olhando. Escondam-se tenho vergonha de vocês! E agora o que vou dizer? Quem morreu? Para onde vai embora? Que me dói? Preciso de uma desculpa imediatamente.
O quê? Me recriminam? Perdoe-me, mas aprendi que o mundo pertence aos fortes, e que os fortes não se abalam, ou pelo menos, não frente aos outros. Os fortes de verdades choram? Desculpem-me, mas forte mesmo é aquele que chora escondido. Como não? As lágrimas que mais doem são aquelas que caem sozinhas.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ele sim

Já lhe disse uma vez o quanto é difícil falar do que se sente por alguém e para alguém! Mas não é todo dia que se completa quarenta anos. Acho que posso começar por agradecer, não? Devo um 'muito obrigada' a ti por cada noite de sono perdida, fosse por uma febre ou algum problema que causei; agradeço-te a cada história contada antes de dormir, deitado a beira da cama, quantas vezes não peguei no sono junto com 'O Jacaré que usava óculos'?
Ah, jamais poderia deixar de agradecer as vezes em que esforçou-se ao máximo para compreender-me, que tentou mudar sua forma de pensar, só para não desagradar-me ou para que não entrássemos em conflito. Sou muito grata também por cada bronca, cada lição de moral, que por muitas vezes, no momento, pareceu-me careta ou sem sentido, e que tempos depois, percebi ter completa razão; por todo o carinho com que sempre dirigiu-se a mim; pelas vezes em que me levaste ao zoológico; ou que ligaste só para saber se eu precisava de alguma coisa e dizer 'paizinho,eu te amo'. Não menos importante e sempre em minha memória, as tantas vezes em que me emprestou tua paciência, coragem e persistência, sem isso eu nada seria.
Sei que não sou um exemplo de filha e nem motivo de orgulho para teus olhos, mas acredite, eu tento! E não podia deixar de pedir-te perdão por cada palavra ofensiva que pronuncie, pelas vezes em que fui grosseira, infantil, incompreensiva; pelas mágoas bobas que guardei. Perdoa-me, pai?
Que teria eu a desejar-te? Sem dúvidas nenhuma, em primeiro lugar, muita saúde; pois eu, sou egoísta o bastante para querer-te sempre comigo, e confesso, não suporto te ver mal ou pensar em perder-te. Que o sucesso, que sempre buscaste com muita luta, continue a teu lado, pois tu se faz merecedor dele. Que a proteção, que peço toda a noite para ti, não te abandone.
E não nos esqueçamos, do quanto é grande o amor que eu lhe devoto e tão puro; do quanto orgulho-me em ser tua filha; do quanto admiro-te e quero bem. Meus parabéns, que venham uma infinidade de anos para ti, pois ainda há tanto a se viver.
Ah bênção, papai. Amo-te e cuida-te, por mim.
Da tua menina, do teu bebê.

Dia 11: a música que ninguém poderia esperar que você ame.

domingo, 9 de maio de 2010

Porto seguro

Quando era pequena, sempre que você saia de casa eu  vestia suas roupas, colocava seus brincos, calçava seus sapatos e destruia a sua maquiagem; ia para frente do espelho e me sentia tão bonita, por que me achava parecida contigo.
Lembro que quando a senhora ia me pegar ou me deixar na escola e todos perguntavam: 'essa é a sua mãe? parece sua irmã!', eu enchia o peito de orgulho para dizer um sim, porque eu tinha a certeza que a minha mãe era a mais linda e a mais maravilhosas de todas. E ainda hoje faço isso, principalmente, quando me refiro a educação que recebi de você.
Mesmo que eu não tenha crescido tanto já fazia um tempo que eu me considerava independente, achava que podia me virar sozinha, mas foi só você sair de perto para que eu pudesse enxergar o quanto dependo de você, mãe! Eu ainda preciso que você brigue comigo para que eu não deixe a toalha molhada em cima da cama e que me mande arrumar o quarto; que me orbigue a tomar café da manhã e me faça comer direito, preciso de alguém que puxe a minha orelha e me dê broncas quando eu não estiver enxergando a besteira que ando fazendo. Ah mãezinha, eu ainda preciso ter perto alguém que me conheça mais que a si própria e que me faça sempre falar a verdade ou que consiga arrancar de mim o motivo de um choro inesperado, alguém com quem eu deva e consiga compartilhar meus maiores pedaços de cotidiano. Ainda preciso que você seja mais mãe que eu, por que eu descobri que sou dependente, que não tô preparada para esse mundo, que ainda sou passarinho novo para sair do ninho. Não posso mãe, eu não posso encarar esse mundo, por que ainda não sou metade da mulher que tu és. Mas quem sabe um dia não alcanço minha meta e chego lá?  Desde criança, todas as vezes em que olhei para o espelho do futuro eu ti vi, por que você foi o que sempre quis ser.
Ás vezes fico pensando nos seus ciúmes e me dá até vontade de ri! Ai mãe, até parece que não é para você que eu sempre corri na hora do desespero, que é não é por você que rezo todas as noites e que não é contigo que me sinto segura. Posso te contar uma coisa? Você é o meu maior amor, sempre foi e sempre será!


"Seus olhos meu clarão/Me guiam dentro da escuridão /Seus pés me abrem o caminho /Eu sigo e nunca me sinto só /Você é assim /Um sonho pra mim /"Quero te encher de beijos"







Dia 01: A sua canção favorita ( e para mamãe também)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma porta sempre aberta

Posso entrar? Quero saber se está tudo bem, você me parece tão cansada, há uma melancolia tão grande em teu olhar. Desculpe se eu lhe magoei.
Eu poderia deitar em seu colo? Queria contar-lhe o que andei fazendo e como o tempo atrapalhou minha vida. Posso chorar? Há tanto em mim a ser desaguado.
Será que seria pedir demais que você fizesse aquele bolo que eu tanto gosto? Sinto o cheiro do café meio amargo que você sabe passar.
Ainda tem guardada aquela minha camisola de algodão que eu tinha deixado na gaveta? Não estou me sentindo muito a vontade.
Nossa, o frio aumentou e de repente ficou tão escuro. Estou com medo! Todos os velhos monstros voltaram para debaixo da minha velha cama, posso pular para a sua? Ela ainda me parece o lugar mais seguro do universo.
Ei, meu sono não chega! Pode me contar uma historia bonita? Aquela que a princesa tem o meu nome e um final feliz.
Ah mamãe, não me diga quantos anos eu tenho. Por favor, eu ainda sou tua criança!

(para todas as perguntar um sim)