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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Senhor de mim

Caro Senhor de minha vida e de meus sentimentos, venho eu aqui – serva dedicada – pedir-te que me deixes ir embora. Não, por favor, não faça esta cara e não traga lágrimas amargas a tua face tão bonita e cansada, deixe teus belos sem forçado sentimento, eu preciso ir-me embora.

Pare, pare. Eu já ouvi isso antes, a melodia de tuas palavras cheira-me a promessas não cumpridas, falsas. Não queria fazer isso, meu Senhor, mas não enxergo outras saídas, tenho que ser severa e submeter-me a um possível castigo; eu vou agora fazer uso da sinceridade que te poupei durante estes anos de serviço. Preciso dizer o quanto és cruel e pedir-te que finde esta doce crueldade. Não me questione agora, pelo amor de Deus, meu Senhor, escute-me, uma única vez nesta vida, escute-me.

Tu tens de reconhecer, amado Senhor, que desde que nasci servi a ti como todo o amor e a dedicação que pude conhecer nesse mundo; não nego que todo este trabalho (sofrido vez por outra) foi voluntário, espontâneo, cheio de sentimento. Sabemos que cresceu junto de mim uma admiração por ti, eu sei que tu sabes caro Senhor, que eu me esforcei para agradar-te sempre, que todas as vezes que te desagradei fui castigada duplamente: por ti e por mim. Tens ideia do quanto me doía ser alvo de teu desprezo merecido, meu Senhor, tens ideia?

Acho que não! Tenho certeza que teus olhos cristalinos e teu coração, que outrora pareceu-me puro, enxergam tudo o que se passou. Mas tu, meu Senhor, fingiu nada enxergar, deixou que tua pobre serva fosse alvo da ira alheia, permitiu que machucassem, ferissem e furtassem de mim, tua mais dedicada serva, o amor e a pureza; não fizesse-te esforço algum para salva-lá do abismo do desamor, não tens piedade, tampouco coração.

Não, não, meu senhor, eu imploro, não me olhe com esses olhos de quem compreende, de quem tem piedade e aprendeu a se arrepender. Por tudo que é mais sagrado não me dirija este olhar que eu já conheço, sei que isso passa. Ah, meu senhor, recorda-te de quando usaste e abusaste de mim? De quando acreditei em tuas palavras de misericórdia e não tive dúvida alguma em continuar a devotar-te minha vida? Te esqueces, meu senhor?

Oh, shii, não me olhes assim, não. Já provaste que de nada valho, que sabes muito bem viver sem a minha pessoa, que sem mim podes seguir em frente. Não te aflinjas, já foram embora os tempos difíceis, agora, terá muito mais gente a te agradar, não faltará quem te queira bem. Eu preciso ir embora, meu Senhor, preciso achar uma fonte qualquer de rejuvenescimento do amor, recompor as minhas forças, melhorar a minha munição; que se um dia, esses teus dias doces se acabarem eu estarei aqui, de volta, para servi-te, como sempre,

Tua Serva.

sábado, 13 de novembro de 2010

Quase curado, quase amado

Opa, opa, pode tirar sua mão daí. Deixe aonde você achou esse meu coração ferido. Não me venha com esta conversa de que quer tratá-lo, sei que não é este seu interesse. Você quer uma nova experiência, um novo afazer e implicou com meu coração, justo com meu coração ferido.

Não adianta, não há negociação a se fazer, estou decidida: não te empresto e, muito menos, te dou. Ele passou pelos cuidados de várias pessoas e a cada novo procedimento saiu mais debilitado.

Não aceito remédios tradicionais: analgésicos para fingir que a dor passou, não adiantam mais, me doem mais ainda; antibióticos também já não fazem efeito - as bactérias do amor já estão resistentes o bastante e aumentar a dose será indiferente. Também não me ofereça procedimentos alternativos, acumpultura: nem pensar! Já existem poços demais nesse músculo inquieto. Não ouse tentar corrompe-lo, foi ele quem me avisou do perigo que corria em tuas mãos, foi ele quem implorou para que eu não o entregasse a ti, confessou-me que anda cansado, indisposto, com artrite, artrose, osteoporose e todas essas doenças que deixam os ossos fracos; pediu-me, implorou-me que o poupasse de mais este esforço. Então, meu caro, não se iluda você não vai conseguir suborná-lo, ele está vacinado e o antídoto usado para tal vacina foi extraído justo do seu veneno.

Desista, meu querido, eu e meu coração estamos voltando para o bom caminho, arrumamos as malas e colocamos no bolso somente o que nos interessa, e você, (in)felizmente não está no meio dessas boas coisas. Estamos andando bem, certo, por tanto, não tente atrapalhar-nos; não ouse sabotar nosso planos infalível, não pense em conseguir pôr por terra nossa muralha que está sendo construída, seremos fortes, estaremos (dês)protegidas e você não vai atingir-nos, não desta vez, não mais uma vez.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Por caridade, coração

Vai, meu amor, pede para esse meu coração pequeno não guardar raiva de você; implora para ele para jogar esse rancor chato fora; pede para ele não querer te desamar e nunca, nunca conseguir fazer isso.
Sacode esse meu músculo pulsante e faz ele lembrar que você é o que eu mais amo nessa vida; lembre ele de que viver sem você me dói demais e viver magoada contigo dói ainda mais.
Vai, enche ele de razão e diz que com amor assim a gente não briga e não se zanga, que a gente só ama, só quer bem.
Mostra, mostra para ele que eu não quero ficar com raiva de você, que ele pode ter vários poços feios e escuros, mas que também tem cantinhos bonitos e aconchegantes para te guardar.
Conta, conta para ele que tortura demais não te amar, que eu preciso sentir esse amor para poder respirar. Suplica para ele, suplica piedade e diz que você tem de continuar dentro de mim, senão, meu bem, eu morro; morro só de não amar você.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

De dentro de mim, para dentro de mim

Quando você me disse que precisava se afastar um tempo, que nem daquela outra vez, e o meu rosto, novamente, banhou-se em lágrimas, meu coração palpitou bem forte, me contou o que sentia, que sabia que você não voltava mais.
Só que preferi acreditar no doce de tuas palavras. Lembro-me bem que você dizia 'pode ser que seja um mês, um ano, dois, três ou mais. Não sei, só preciso me afastar de tudo isso.'
Ah meu amor, me segurei tanto, mais tanto, para não pedir que ficasse; para não lhe pedir que pensasse um pouco em mim, em nós!

Só que tenho em mim amor tão devoto e puro por ti que me vi incapaz de te segurar, balançar teus ombros e te obrigar a lembrar que tudo passa; talvez a tua dor sofrida e dramática me fizesse sentir dor maior ainda que a da distância. Descobri que sou fraca demais para te ver a sofrer.
Por isso, vá meu amor, vá para bem longe; para aonde teus pés te levam e o destino te implora. Vá, seja feliz. Mas não me peça para conter as lágrimas ao te olhar partir e fugir das minhas mãos que te agarraram com menos força que o devido; não me peça para esconder e ficar com o sofrimento só para mim, não exija que até assim eu seja egoísta; não me faça ter de olhar-te com tamanha falsidade feliz, não me obrigue a estar bem e ao mesmo longe de ti, não me force tanto.
Prometo, vez ou outra ir até onde você estiver. Sei, sei - você diz que os meses passam voando e logo chegará o verão, quando poderei ver-te novamente. Sei, meu bem, que esses minutos hão de me ajudar, mas não se esqueça: me deixas-te sozinha no inverno gelado do meu quente coração.



terça-feira, 27 de julho de 2010

Currículo amoroso

Oi, bom-dia, estou a um bom tempo a procurar um novo emprego. Na verdade, como pode ver em meu currículo já passei por alguns; desde cedo, mesmo sem querer, fui obrigado a trabalhar, mas nenhum correspondeu ao que eu queria.
Sou um jovem coração e como já era de se esperar, de se saber, passei por alguns perrengues. Em meu primeiro emprego e em outros tantos, meus anseios não foram correspondidos; não havia trabalho em equipe, só havia esforço e realidade de minha parte. Mas mesmo assim não pedi demissão, fui demitida. Fria, cruelmente e várias vezes. Sem dó me piedade meu patrão me mandou embora. Um ou outro até me readmitiu, mas sabe como é? Nunca dá certo.
Depois, andei por aí e entendi que não havia nascido para ser comandada, não precisava de um chefe. Então, pelas noites da vida, consegui alguns empréstimos de amores e arrumei, não sei aonde- dentro de mim, um pouco de coragem. Contratei algumas pessoas para serem meus funcionários junto a alguns sócios, e impus uma condição a todos que ingressavam e erguiam esta empresa a meu lado:eu seria a sócia majoritária. Todos concordaram e eu pensei que tudo iria dar certo e que o maior sucesso na indústria do amor seria alcançada por mim. Mas confiei demais, me passaram a perna; os sócios abusaram de seu poder e junto com alguns dos funcionários roubaram-me toda a força, sem deixar-me nenhum tostão de coragem e investiram tudo na concorrência.
Confesso, passei algum tempo fora do campo; achei que essa vida profissional havia acabado para mim, mas resolvi me dar nova oportunidade. Andei lendo sobre como anda difícil o mercado e não nego temo por mim; mas não posso ficar parado a vida inteira pedindo esmolas para quem não tem nada a me dar.
Foi então que procurando nos classificados um coração para trabalhar meu amor, achei essa agência e pensei que aqui teria uma nova oportunidade. Vou confidenciar mais uma coisa: estou disposto a pagar o que for e trabalhar o quanto for por uma nova chance. Pensem bem!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Findando guerras sentimentais

Boa tarde, querido inimigo. Aqui venho eu, como uma bandeira branca, ou se preferir, com o arco-íris inteiro à punho; despida de toda a minha prepotência e desejo de vingança, completamente nua, dar fim a este nosso longo conflito. Percebo, que não tu, mas esta maldita vontade de vencer me dominou por todos estes onze anos.
Não mando embora a ideia de que sempre tive motivos para te odiar e insistir em vencer a cada raiar do dia estas batalhas nada sangrentas e muito dolorosas; mas abro mão dessas fieis companheiras. As empresto à você para que use-as contra mim e me faça sair, mesmo que com o rabinho entre as pernas, desta guerra tão cheia de razão.
Repeti tanto aos quatro ventos o quanto estava certa. Usei de tamanho poder de persuasão que fui capaz de convencer todo o mundo e me desconvecer de uma possível vitória.
Zero meu placar, dou-te todos os meu pontos suados. Abro mão de tudo, de todos.
Não, eu não aderi a uma filosofia que a nossa guerra não resolve nada; ainda acho que nosso caso seria um a fugir do real. Mas é que todos os tiros saíram pela culatra; a faca não tem mais dois gumes, agora um só, que me atravessa pouquinho a pouquinho. Enquanto preocupei-me em te destruir acabei com o que mais prezava em mim- o orgulho!
A cada vez que desembainhei minha espada ou consegui a melhor mira eu matava o meu tão estimado orgulho; matei-o pedacinho por pedacinho e acabei por dar fim a qualquer sentido que possuísse minha existência. Por isso, cá estou a jogar a teus pés tudo que já considerei de mais importante, precioso.
E não vou te pedir nada em troca. Não tenho mais nenhum refém sobe meu domínio, não quero nenhum tostão de teu amor e nenhum km quadrado sequer do teu coração. Até tinha vontade de continuar meus dias a convencer-me de que sou mais poderosa que sua insignificante figura; de verdade? Eu ainda quero! Mas não acho mais forças, nem mesmo em tua queda.
Por tanto, entrego-te todas as minhas armas infalíveis que de nada adiantaram. Por merecer, dou-te mais um troféu e não nos esqueçamos, deixo que leve por inteiro todos os meu ideais.

Agradeço-te e sumo da tua frente,
Grata.

"Sentir teu coração perfeito, batendo á toa, isso dói, seja como for. É uma dor que dói no peito, pode ir agora, que estou sozinho. Mas não venha me roubar..."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lágrimas,

Vocês não me escutaram? Já disse para ficarem quietas, não impliquem, não me desobedeçam. Fiquem quietas! Por favor, estamos na frente de tanta gente; juro que quando chegarmos em casa me tranco no banheiro e as deixo a vontade; se quiserem eu nem vou para debaixo do chuveiro e até olho para o espelho. Mas pelo amor de Deus, não me façam passar vergonha!
Ei, tu que vai caindo, dê meia volta! Meninas, eu sei que está doendo, mas não a sigam, eu imploro! Fiquem aonde estão, pelo bom Pai. Eu compreendo, mas não façam isso comigo.
Eu falo grego ou são surdas? Está todo mundo olhando. Escondam-se tenho vergonha de vocês! E agora o que vou dizer? Quem morreu? Para onde vai embora? Que me dói? Preciso de uma desculpa imediatamente.
O quê? Me recriminam? Perdoe-me, mas aprendi que o mundo pertence aos fortes, e que os fortes não se abalam, ou pelo menos, não frente aos outros. Os fortes de verdades choram? Desculpem-me, mas forte mesmo é aquele que chora escondido. Como não? As lágrimas que mais doem são aquelas que caem sozinhas.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Coração,

Poucas vezes conversamos, mas falo sempre em você. Sei que anda péssimo, e lhe confesso, não vim aqui para melhorar sua situação. Preciso ser bem sincera com você, e ah meu caro, a sinceridade na maior parte das vezes dói e muito. Eu lhe escrevo para dizer o quanto eu te odeio, e quer saber? Não sou só eu não, o corpo inteiro, inteirinho, nutre um ódio imenso por ti.

E não venha me falar que não existem motivos para tamanha raiva. Vou sou citar alguns dos inimigos que você vem conquistando: começa pelo cérebro, ele anda muito p.da vida contigo, o que me contou me fez ficar mais chateada ainda, como você não dá ouvidos para razão? Isso não é coisa que se faça; depois tem os olhos, porque faz isso, me diz? Insiste em mostrar a eles uma única pessoa e como recompensa faz uma água chata cair o tempo inteiro, descontroladamente; outro que não anda nada feliz é o nariz, diz que por conta de você, não sente outro cheiro a não ser o dele; ah e a boca? Essa está indignada, diz que não consegue mais sentir outro gosto; as mãos estão cansadas de discar um mesmo número sempre; o estômago anda triste demais, diz que não agüenta mais sentir os embrulhos quando você acelera só por ouvir o nome daquela pessoa. Acho bom você começar a presta atenção no que anda fazendo.

Céus, será que você nunca percebeu o quanto é desprezível? Você é tão burro, acha que sabe de tudo, tem ousadia de dizer que o certo a fazer é o que sente, bobinho! Se ponha em seu lugar, entenda que paixão, romance, não é coisa para você, isso é para gente grande, forte,poderosa; e você é fraco demais para isso. Conselho de amiga, desiste desse negócio , porque se não meu bem, você vai acabar morrendo de amor.