terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Papai do céu castiga
domingo, 16 de janeiro de 2011
Nenhuma gotícula

Manuela era daquele tipo de mulher durona, quase nunca chorava na frente dos outros, no entanto não se aguentava em casamento; ela não sabia o ‘porquê’, mas sempre desaguava naquelas malditas cerimônias matrimoniais. Porém daquela vez ela não iria borrar a maquiagem perfeita, não iria descer do salto depois de algumas doses de tequila, iria manter-se impecável, não daria o braço a torcer, o prazer (a ela própria) de demonstrar aquela dor, não perderia para si mesma.
Aquela música idiota mais uma vez infernizava a sua audição – droga de marcha nupcial. Ela não iria chorar, nenhuma lágrima, nenhuma gotinha de sentimento, nadica de nada. Sempre tinha reparado na magreza daquela menina, sempre tinha observado como se sentia mais bonita quando ela estava por perto, sempre sentira-se superior, mas nunca (nunca mesmo) tinha sentido aquela pontinha de ódio em relação àquela moça; mas há de se reconhecer: Manuela sabia assumir para si mesma quando era visitada pelo bichinho da inveja. Porra. Aquela maldita noiva tava linda; pela primeira vez na vida ela realmente estava linda. Não, ela não queria matá-la, não queria que ela caísse; dessa vez a mente de Manuela não funcionava maleficamente; dessa vez ela só estava se deixando dominar pela inveja: queria mesmo era estar no lugar dela, com o vestido dela, com o homem dela. Só que ela não iria derramar nenhuma gota por isso.
Aquele padre hipócrita falava de amor, falava de uma vida a dois, em um tal de para sempre. O sim não foi dito, muito menos interrompido: foi gritado, foi sentido, aplaudido. Muito arroz jogado, muito azar desejado. Que aqueles dois fossem passar a lua-de-mel no Caribe, que passassem pelo inferno e que fossem morar no diabo que os carregue; podiam ser felizes debaixo da ponte, podiam ter filhos horrorosos, podiam ter a vida que Manuela sempre quis, que mesmo assim ela não cederia a uma única lágrima. E nem iria perder a festa, iria ser a última convidada a ir embora, dançaria a noite inteira e encontraria o novo cafajeste de sua vida, por que não o melhor amigo daquele desgraçado?
-Meus pêsames, Eduardo... finalmente encoleirado. – como ele estava ridiculamente lindo com aquele terno.
-Ah Manu, não acredito que você veio, que bom, que bom. Não faz ideia do quanto isso é importante para mim.
-É. Eu não faço.
-Aproveita a festa. Depois a gente se fala.
Diabos. Como ela odiava aquele beijo na testa; sim, porque beijo na testa era sempre falso, sempre mentiroso, beijo na testa sempre gosta de iludir. Trocou a tequila pelo gim, afinal é a bebida de quem perde alguém. Uhum, ela se considerava derrotada, de vez; ok, ela tinha perdido. Mas afinal de contas, perderá o que mesmo? Ele não passava de um canalha, era um canalha sim.
A festa estava ótima e ela já estava de saco cheio, já havia rodado todo o salão e optado por um canto isolado. Mais uma dose de gim. Droga.
-Me diz Manuela, fala para mim, sua burra; confessa que você está arrependida mais que nunca; que queria que essa porcaria de tempo voltasse. Confessa, confessa que você queria ter feito tudo diferente, vai sua imbecil.
-Falando sozinha, dona Manuela?
-Ah, é você? O louco da festa...
-Eita, que não desarma mesmo?
-Que você quer, hein Eduardo? Eu já não vim nessa sua festinha idiota, que mais você quer de mim?
-Ei, ei, eu te disse no inicio que eu voltava, não disse?
-Voltava? Voltava para onde? Para minha vida? É isso?
-Calma Manu, não vamos misturar as coisas...
-E quem está misturando alguma coisa aqui? Eu? Ou você?
-Manuela, você sabe que eu não te prometi nada, você sabe que eu não te iludi.
-Claro que não, senhor consciência limpa.Aquelas promessas de que ficaríamos juntos, aquela conversinha idiota de amor eram piadas não eram? Eu sei, sei que eram...mas eu sempre fui burra e lerda demais para achar engraçado a tempo.
-Manu, Manu, não confunde as coisas. Eu tinha 16 anos quando te falei, quando te escrevi aquelas coisas, você tinha só 13.Nós éramos duas crianças, tá na hora de a gente crescer, não acha?
-Você cresceu sozinho, quer dizer, sem mim, não é senhor ‘eu vou te esperar’?
-Olha aqui Manuela,se você quer mesmo saber, eu te amei, tá ok? Eu fui louco, louco por você. Foi você quem não voltou, foi você quem sumiu primeiro, eu não podia esperar a vida toda.
-Claro, Eduardo, claro. Três anos são uma eternidade, e você tem razão: aquele tempo já passou; você cresceu, meu querido, virou adulto e eu continuo a mesma criança...sem derramar uma única lágrima.
-Manu, volta aqui, espera, espera...
-Quem sabe eu espere uma próxima vez, quem sabe eu espere para seu próximo casamento.
sábado, 15 de janeiro de 2011
A seu respeito

Ei, realmente quer saber o que eu penso sobre ti? Quer mesmo que eu diga tudo? Pois lá vai – eu te acho engraçada. Aham, é isso mesmo, acho tudo em você muitíssimo engraçado. Fico rindo sozinho quando penso em você quando sente-se zangada, no bico que você faz, como põe a mão na cintura e bate o pé; acho super engraçado o seu perfeccionismo na cozinha, tem sempre que limpar tudo antes de acabar o prato; acho engraçado a forma frenética como você trabalha, sem conseguir se concentrar; acho engraçado o modo como você quer chamar atenção e fica atipicamente quieta, na sua. Por falar nisso, acho super engraçado esse jeito inquieto, frenético, parece uma formiguinha de um lado para o outro. Mas o que eu acho mais engraçado em você é a forma como acha que sabe fingir: finge que não liga, que não está chorando, que não quer mais, que já passou, se faz de durona e finge muito mal que não sente. Se você queria, agora já sabe o que eu penso a seu respeito: te acho especialmente, incrivelmente engraçada, e só.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Nos reencontros da vida - Meio passo

“Helena sentiu-se mais enraivecida ainda, queria batê-lo, pedir para que ele a olhasse e a quisesse. Estava com a alto-estima ferida e com o caminho da desistência traçado.”
Voltaram para casa – ele tagarelando sobre suas filosofias de vida, ela ocupada com seus novos planos para esquecê-lo. Marcos falava cada vez mais e ela respondia cada vez menos, olhava-o com a esperança agonizante de que ele percebesse seu desejo, queria dar-lhe uma ultima chance, alimentava uma pontinha a mais de expectativa do retorno; respondia-o em monossílabos, e vez por outra lhe dava um sorriso. Naquele ritmo a tarde não demorou-se a despedir, logo veio o pôr-do-sol. Helena sentou-se a beira do mar, deixou que as ondas molhassem seus pés até que o sol finalmente adormecesse, decidindo ao mesmo passo que acabava ali, que já havia ultrapassado os limites, ela não precisava de um Romeu, ela nem era Julieta. Tomou o caminho de volta para casa e jogou-se debaixo do chuveiro, comprando a passagem de volta para realidade: ele não seria o primeiro que ela teria de esquecer.
Demorou-se no banho, queria que a água a deixasse neutra e forte outra vez, evitaria qualquer contato, nada de indiretas para relembrar o passado... agiria como se eles sempre tivessem sido apenas primos: nada mais. Iria sentar-se só e terminar o livro que havia largado pela companhia de Marcos, só que mais uma vez ele tinha de atrapalhar seus planos:
- Ei Helena, vamos ali, na praia?
- Ah, claro, vamos sim...
Ele era mesmo um idiota. Tinha de fazer com que ela traísse sua razão constantemente? Pobre menina. Lutava ardentemente para dizer-lhe um N-Ã-O, mas queria sempre responder que sim, sim, sim.
Sentaram-se os dois lado a lado, Marcos passou o braço pelas costas da menina; ela segurou-se para abafar um suspiro esperançoso, fechou os olhos no medo de que tudo aquilo fosse uma tremenda mentira.
-E agora, Helena, se o gênio aparecesse você saberia o que pedir?
-Eu realmente não tenho ideia...
-Um abraço? Um tapa? Nada?
-Não, eu não sei...
-E um beijo?
Deus do céu será que ele estava mesmo falando com ela? Será que ele estava mesmo dizendo o que ela queria ouvir, será? Não tinham tempo a perder, já haviam perdido amor demais. Ansiosa Helena recostou a cabeça naquele ombro conhecido, fechou os olhos e entregou-se ao seu desejo; deixou depois de muito que seu coração gritasse, beijou-o como há tanto queria e sentiu como nunca tinha sentido antes.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Para casar
- Tudo bem, filho? Você me parece preocupado...terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Acaba-te disposição
Maquiagem impecável, nem um fio fora do lugar, o corpo na melhor forma possível, a roupa mais bonita do armário e o efeito quase nenhum (para não dizer que ele foi-se embora de vez e resolveu não mais voltar). Gastei os sapatos,os neurônios e principalmente, o coração para tentar te atingir uma única vez mais. No entanto, você cresceu, está bem mais alto, em um céu que eu, há muito, desconheço.