sexta-feira, 25 de setembro de 2015

As vantagens de ser invisível: uma resenha ou meu último aprendizado


Querido Charlie,

Queria começar dizendo que muitas vezes eu também sou invisível. E que talvez todas as pessoas boas, de alguma forma, o sejam. Isso não significa, no entanto, que  eu me ache uma pessoa tão boa assim. Muito pelo contrário. Mas eu tenho esperança. Tenho esperança de um dia ser como você.
Olha, eu também tenho as minhas feridas, que parecem nunca cicatrizar. Também escondo coisas irreveláveis (que um dia vão ser descobertas). Também não gosto das belezas convencionais. Na verdade, de nada que se enquadra nos padrões. 
Mas principalmente, Charlie, eu também penso muito, e-x-a-g-e-r-a-d-a-m-e-n-t-e. E sinto tantas coisas, de forma tão intensa; e nunca falo sobre elas. Eu também amo demais e tenho a mesma ilusão de que esse amor pode justificar tudo, sendo suficiente para qualquer coisa. Mas não é. E aí cometo o mesmo erro: acabo esquecendo de "fazer coisas". E a Sam tem toda a razão: a gente não pode se limitar a ficar sentado, sentir e pensar - "fazer coisas" importa muito.
E é por isso, é por você, Charlie; na verdade, foi com você que decidi parar de "não fazer coisas" e de tentar não ter tanto medo assim. 
Preciso também dizer que pela primeira vez eu não corri para última página logo nos primeiros capítulos de um livro. Pela primeira vez, eu não me deixei tomar pela ansiedade e pelo pavor do que estar por vir. E quer saber? Não vou mais querer ler o próximo capítulo da vida também. Deixa acontecer.
Com você e sua páginas eu tive muitas lições. E pode ter certeza de que, daqui por diante, vou estar sempre "fazendo coisas", amando e passando por túneis - deixando o vento bater no rosto.
Obrigada, Charlie. Aprendi a viver um pouco mais com você.


Com amor, 
Gabi.


OBS: ao terminar a leitura de "As vantagens de ser invisível" de Stephen Chbosky, tentei fazer uma resenha. Mas tudo o que saiu foi uma carta cheia de emoção para um dos personagens mais lindos que já (re)conheci. E a frase da foto 'somos infinitos' é uma das constatações mais loucas e profundas que Charlie fez. 

2 comentários:

  1. Faltou a ponte, fiquei diante do abismo intransponível: Não li o livro e não terei tempo para incluir a leitura dele nas cinquenta coisas que tenho que ler até dezembro. Contudo, teu poder sobrenatural de síntese e tua carta extremamente humana e bela podem ter me posicionado no essencial.
    A somatória de ser uma boa pessoa e pensar exageradamente não dá no caminho do sucesso e consequente visibilidade. Não neste mundo de egocentrismo e ingratidão. O caminho será o fazer coisas mesmo, sem parar, e a coisa maior a fazer será o promover-se, não tanto quanto promover o que é capaz de fazer.
    Não há espaço para coração nas metrópoles de mármore. Há espaço para a sobrevivência dos melhor adaptados.
    Enquanto isso, seja Charlie, seja Bielinha ou seja qualquer outro sonhador-pensador, as exceções que fazem a regra permanecerão invisíveis. Deliciosamente invisíveis! Só serão enxergados por quem enxerga com o coração.
    Beijossssssss Bielinha

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