segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu, eu e eu

" Disseque suas motivações mais profundamente! Achará que jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todas as ações são autodirigidas, todo serviço é auto-serviço, todo amor é amor próprio" (Quando Nietzch Chorou- Ivin D. Yalden).

Sempre que fazemos alguma coisa para o outro esperamos algo em troca, não falo somente do dinheiro, ou de bens matérias, mas refiro-me àquilo que é combustível para maioria de nós: o reconhecimento. Entra aí a diferença entre altruísmo e generosidade (que começo a considerar algo utópico). Percebi que não existem ao meu redor pessoas generosas; convivo sim com criaturas maravilhosas, capazes de estender a mão até mesmo a quem já lhe fez mal, mas todas sempre a espera de que alguém venha e observe quanto foi bela tal atitude, por tal: generosas.
E se tocarmos no tal do amor, este mesmo é que é uma forma do egoísmo; na verdade, não o amor em si, mas a forma como o interpretamos e "usamos". Vejamos bem, seria o ciúmes prova de amor? Mesmo sendo ciumenta, para não dizer, possessiva, defendo que não. Ciúmes não "apimenta" a relação, não é necessário, mas é humanamente impossível não senti-lo; já que é o Homem de uma natureza extremamente egoísta; ciumes é o desejo do outro somente para si, mesmo que em outras companhias eles sinta-se mais feliz.
E quando alguém vai se mudar ou está muito doente e morre? Choramos, nos perguntamos por que a vida fez isso conosco e nos esquecemos das oportunidades e melhoras que quem queremos para nós podem ter; o egoísmo nos tira a visão do outro, nos mostra apenas uma imagem projetada frente a um espelho; faz com que em nosso vocabulário haja apenas a primeira pessoa do singular, sem abrir brecha nenhuma para o plural. Somos movidos a amor, amor-próprio!

Dia 13: a canção do seu álbum favorito

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tia, me dá um trocado?

As melhores recordações que trago são da minha infância: as brincadeiras, as histórias encantadas, meus super-heróis, o cheiro do bolo da vovó, as quedas que deixaram tantas marcas. Mas nem todas as crianças tem a sorte de uma fase tão doce, muitos pequenos tem que trabalhar cedo, pedir esmola ou até mesmo roubar. Você contou quantos meninos lavaram o vidro do seu carro hoje? Ou quantos bateram à sua porta e pediram um prato de comida?
Para muitos sinonimo de criança é felicidade, mas nem todas elas sabem o que é isso de fato. Alguns pais obrigam seus filhos a venderem bala no sinal ou a saírem pedindo ajuda; e tem aquelas outras crianças que nunca souberam o que é pai e mãe, desde cedo tiveram que aprender a se virar sozinho e só enxergam como saída: trabalhar, roubar, prostiuir-se ou pedir. Mas ainda que raros, existem crianças que se pegam aos estudos, pois veem nele a solução para seu maior problema: o futuro.
Quando se deparam com uma criança pedindo ajuda, muitas pessoas negam, pois acham que aquelas criaturinha são mandadas ali por seus "responsáveis", ou que não irão utilizar aqueles trocados para boa coisa. Só que não nos esqueçamos daqueles que oferecem um prato de comida ou um "bico" aos pequenos desacreditados; e infelizmente tem aquelas outras que olham sentem pena, mas não fazem nada; e pior ainda, existe gente que nem consegue ver! E você? Faz alguma coisa para ajudar?
O Estatuto da Criança e do Adolescente garante para toda e qualquer criança tudo que alguém precisa para ser feliz: saúde, lazer, escola, etc. Mas na prática nós sabemos que não é bem assim. Não se pode assistir a tudo isso parado sem tomar atitude nenhuma, apenas sentir dó cruzando os braços; temos que cobrar os direitos dessas criaturas que não tem culpa de terem nascido numa sociedade como essa. E lembre-se sempre: o menino de rua de hoje é nosso cidadão de amanhã.

Dia 12:uma música que descreve você

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ele sim

Já lhe disse uma vez o quanto é difícil falar do que se sente por alguém e para alguém! Mas não é todo dia que se completa quarenta anos. Acho que posso começar por agradecer, não? Devo um 'muito obrigada' a ti por cada noite de sono perdida, fosse por uma febre ou algum problema que causei; agradeço-te a cada história contada antes de dormir, deitado a beira da cama, quantas vezes não peguei no sono junto com 'O Jacaré que usava óculos'?
Ah, jamais poderia deixar de agradecer as vezes em que esforçou-se ao máximo para compreender-me, que tentou mudar sua forma de pensar, só para não desagradar-me ou para que não entrássemos em conflito. Sou muito grata também por cada bronca, cada lição de moral, que por muitas vezes, no momento, pareceu-me careta ou sem sentido, e que tempos depois, percebi ter completa razão; por todo o carinho com que sempre dirigiu-se a mim; pelas vezes em que me levaste ao zoológico; ou que ligaste só para saber se eu precisava de alguma coisa e dizer 'paizinho,eu te amo'. Não menos importante e sempre em minha memória, as tantas vezes em que me emprestou tua paciência, coragem e persistência, sem isso eu nada seria.
Sei que não sou um exemplo de filha e nem motivo de orgulho para teus olhos, mas acredite, eu tento! E não podia deixar de pedir-te perdão por cada palavra ofensiva que pronuncie, pelas vezes em que fui grosseira, infantil, incompreensiva; pelas mágoas bobas que guardei. Perdoa-me, pai?
Que teria eu a desejar-te? Sem dúvidas nenhuma, em primeiro lugar, muita saúde; pois eu, sou egoísta o bastante para querer-te sempre comigo, e confesso, não suporto te ver mal ou pensar em perder-te. Que o sucesso, que sempre buscaste com muita luta, continue a teu lado, pois tu se faz merecedor dele. Que a proteção, que peço toda a noite para ti, não te abandone.
E não nos esqueçamos, do quanto é grande o amor que eu lhe devoto e tão puro; do quanto orgulho-me em ser tua filha; do quanto admiro-te e quero bem. Meus parabéns, que venham uma infinidade de anos para ti, pois ainda há tanto a se viver.
Ah bênção, papai. Amo-te e cuida-te, por mim.
Da tua menina, do teu bebê.

Dia 11: a música que ninguém poderia esperar que você ame.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando o tempo não apaga

Ei, lembra assim que eu fiz o blog e você me pediu um texto dedicado a ti? Até brincaste dizendo que quando eu estivesse famosa e me perguntassem para quem escrevi estas belas palavras eu diria que para uma amiga muito especial e tu saberias que era para ti, seria mais um de nossos segredos. Pois bem, assim como lhe falei, só escreveria algo sobre/para você quando o fizesse naturalmente. E por estes tempo, a saudades e a distância andam gritando tão alto em mim que, infelizmente, veio a tal da naturalidade.
Hoje, estou aqui, como a maioria de meus dias, vivendo de saudades; e tu faz parte de cada pedacinho dela. Quantos momentos juntas? Quantas histórias para contar? Coisas que desrespeitam somente a mim e a você, e um dia, serão da conta de nossos netos, assim espero.
Ah, minha amiga, fizemos tantos planos juntas. Nós sabíamos que nunca desgrudaríamos, que nos telefonaríamos todos os dias e que sairíamos juntas todos os finais de semana de nossas vidas. Mas espera, tu avisou para o destino? Acho que me esqueci, que nos esquecemos. Não, não, não, shiii, não fique triste; não quero atribuir culpa a nenhuma de nós duas, claro que, cada uma tem a sua parcela, e acho que andamos com as contas em dias, sei que estamos pagando direitinho todos os meses, com a nossa saudade, dor por dor.
Preciso lembrar-te que os ciúmes ainda vivem aqui, junto de mim; além dele, ainda trago o ombro amigo, um ouvido pronto; conselhos caretas, ou certas vezes, de tia-moderninha; tenho também alguma paciência para contigo, para ouvir sobre teus casos, tuas dores, teus mau-humores, tuas TPM's, brigas constantes, e também, cada pedacinho de teu cotidiano!
Ah, não nos esquecemos, se tua vista estiver muito ruim, ainda posso e terei prazer de emprestar-te minhas grossas lentes com quatro e meio de miopia; ainda possuo, olhos bons o suficiente, para enxergar o quão boa pessoa tu és; quanta generosidade trazes em teu pequenino coração tão grandioso; como sabes ser doce, quando queres.
E não perdi meu coração, eu ainda posso sentir não só o pulsar, mas também, um bocado de saudades, carinho, admiração, gratidão, preocupação e amor! Aquele nosso amor, bem fraternal, parceiro, cúmplice e grande. Que vez ou outra, temo estar perdido, mas quando procuro bem ainda está na cabeceira de minha cama, em minhas cartas,minha história e em cada pedaço de mim.

Mãos dadas (Carlos Drummond de Andrade)

"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."



Dia 10: a música da sua banda favorita

sábado, 22 de maio de 2010

A cura desejada

Estava ela ali, mais uma vez, na porta daquele lugar que tantas vezes tentara entrar mas nunca conseguira! Agora, havia criado coragem, e dali para frente tudo seria diferente.
Empurrou a porta, olhou uma última vez para a rua, passaria um bom tempo sem olhar aquele movimento. Colocou sua mala no chão, deu um sorriso amarelo para a recepcionista respondendo o que queria:
-Quero me tratar! - já lhe vinham as lágrimas- Eu preciso, preciso mesmo! E estou decidida, quero largar esse vício que só me destrói.
A atendente encaminhou a moça a um psiquiatra da clínica que faria uma entrevista para avalia-la. Assim que entrou na sala que lhe foi indicada logo jogou-se na poltrona que nem havia lhe sido oferecida ainda; e junto com ela desabaram todas as lágrimas que estavão na iminência de cair. O especialista olhou pacientemente para aquela jovem, tentando imaginar que mal a trazia ali. Esperou que seus soluços cessassem e então perguntou-lhe:
- Vamos falar do que a trouxe aqui?
Ela engoliu o resto do choro que não tinha mais, deu um suspiro, e falou como se nunca mais conseguisse o fazer:
- Doutor, várias vezes passei aqui na porta, mas não tinha coragem nem de entrar. Só que agora, eu deixei de ser covarde, decidi me tratar. Por que se não, doutor, esse vicio termina de me matar por dentro e só de ruim deixa viva.
Ele olhou seriamente para ela e começou com um discurso que já era esperado:
- O mais importante já aconteceu, você tomou consciência de que precisa se tratar; mas fale mais a respeito para que possamos saber como cuidar de você, certo?
- Ah doutor, no começo eu pensei que era uma coisa boa e que eu podia controlar; pensava que na hora que eu quisesse parar eu conseguia, mas não foi assim, não foi. A cada dia que eu experimentava daquilo eu ficava mais dependente, e no dia que eu não pude mais ter fiquei louca. Me desesperei, fiz de tudo para ter aquilo de volta. E até tentei parar algumas vezes, mas sempre tinha a recaída, e não dava em outra, me achava fraca, sentia nojo de mim. Mas aquela droga, sempre foi mais forte que eu. Só que eu já perdi muito, doutor, nem me tenho mais. Já paguei os preços mais altos que se possa pagar, não tenho mais nada a dar e acabei ficando sozinha, eu achava que tinha no vício tudo e todos de quem eu precisava.
Quando a moça parou de olhar o médico perguntou-lhe comovido:
-Minha filha, que mal eu lhe pergunte, que droga você experimentou?
Ela cobriu o rosto com as mãos, como quem se enchia de vergonha, e em um solução doído falou:
- Da pior que possa existir, doutor; Eu provei...ai, eu provei do amor!
Ele olhou com pena para aquela menina e doeu-lhe informar que ela não encontraria cura ali, e nem em outro lugar; sua única esperança era ela mesma.






Dia 09: uma música que faz você cair num sono

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Grande pedaço de mim

Sempre fui de ter respostas para as minhas próprias perguntas, e sempre tive como uma delas que o meu rancor não me levaria a lugar algum. Ah, como eu estava enganada. Agora, vejo eu a que lugar ele me trouxe; estranho confesso, pois é mutável.
Em primeiro instante, me pareceu um doce amargoso, suave; seguro. Ali, tinha a certeza que nada me atingiria, que estaria fortalecida, que seria dura e invencível, pois ninguém cai duas vezes no mesmo buraco. Mas três...
De repente, tudo se desfez, um fel enorme senti em minha boca. Me vi em lugar escuro, jogada ao nada, como uma ninguém.
E por que tudo isso? Por que tudo tem um preço a ser pago. E foi isso o vim escolhendo a muito para mim: orgulho e mágoa, foi disso que vim vivendo nos últimos tempos; afastando quem tanto queria perto. Foi dos sentimentos de culpa e arrependimento forçados que vim me alimentando, suguei e destrui todos sentimentos possíveis, principalmente os meus!
Tudo ficou mais claro, deixando-me enxergar, que o grande problema é o desejo do passado e o desprezo pelo futuro.

Dia 08: a música que você pode dançar

terça-feira, 18 de maio de 2010

Até outro dia

Estou arrumando as coisas e indo embora. Não dá mais, coração despedaçou, mas não se preocupe, não estou só; tenho a mágoa como companheira, e eu prometo nunca deixa-la morrer.
Vão ficando jogados em cima da mesa todos os sentimentos, e eu sei que vão empoeirar; e que também você não vai esquecer de mim, eu sei, sei que a culpa não vai te abandonar.
E nem vou fingir descaso dizendo que não sentirei falta. Ah, eu vou morrer de saudades, e de vez em quando te atenderei e direi um 'oi' caloroso. Mas o que posso fazer? A saudades de mim é bem maior.
Não quero cobrar-lhe nada, nem perder meu tempo dividindo nossas culpas, por isso, estou saindo. Ei, não faça essa cara; não precisa mentir. Você não vai precisar de muito para superar, para me superar.
Ah, e lembre-se de se cuidar bem; não se esqueça da gastrite, nem do joelho machucado; também não beba muito e muito cuidado quando estiver dirigindo; não deixe de tomar seu remédio e nem de continuar a me esquecer.
Fique bem; você vai ficar bem; você está muito bem.



um determinado evento
Dia 07: a música que você lembra de um determinado lugar.