quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nos reencontros da vida - Meio passo






























“Helena sentiu-se mais enraivecida ainda, queria batê-lo, pedir para que ele a olhasse e a quisesse. Estava com a alto-estima ferida e com o caminho da desistência traçado.”

Voltaram para casa – ele tagarelando sobre suas filosofias de vida, ela ocupada com seus novos planos para esquecê-lo. Marcos falava cada vez mais e ela respondia cada vez menos, olhava-o com a esperança agonizante de que ele percebesse seu desejo, queria dar-lhe uma ultima chance, alimentava uma pontinha a mais de expectativa do retorno; respondia-o em monossílabos, e vez por outra lhe dava um sorriso. Naquele ritmo a tarde não demorou-se a despedir, logo veio o pôr-do-sol. Helena sentou-se a beira do mar, deixou que as ondas molhassem seus pés até que o sol finalmente adormecesse, decidindo ao mesmo passo que acabava ali, que já havia ultrapassado os limites, ela não precisava de um Romeu, ela nem era Julieta. Tomou o caminho de volta para casa e jogou-se debaixo do chuveiro, comprando a passagem de volta para realidade: ele não seria o primeiro que ela teria de esquecer.

Demorou-se no banho, queria que a água a deixasse neutra e forte outra vez, evitaria qualquer contato, nada de indiretas para relembrar o passado... agiria como se eles sempre tivessem sido apenas primos: nada mais. Iria sentar-se só e terminar o livro que havia largado pela companhia de Marcos, só que mais uma vez ele tinha de atrapalhar seus planos:

- Ei Helena, vamos ali, na praia?

- Ah, claro, vamos sim...

Ele era mesmo um idiota. Tinha de fazer com que ela traísse sua razão constantemente? Pobre menina. Lutava ardentemente para dizer-lhe um N-Ã-O, mas queria sempre responder que sim, sim, sim.

Sentaram-se os dois lado a lado, Marcos passou o braço pelas costas da menina; ela segurou-se para abafar um suspiro esperançoso, fechou os olhos no medo de que tudo aquilo fosse uma tremenda mentira.

-E agora, Helena, se o gênio aparecesse você saberia o que pedir?

-Eu realmente não tenho ideia...

-Um abraço? Um tapa? Nada?

-Não, eu não sei...

-E um beijo?

Deus do céu será que ele estava mesmo falando com ela? Será que ele estava mesmo dizendo o que ela queria ouvir, será? Não tinham tempo a perder, já haviam perdido amor demais. Ansiosa Helena recostou a cabeça naquele ombro conhecido, fechou os olhos e entregou-se ao seu desejo; deixou depois de muito que seu coração gritasse, beijou-o como há tanto queria e sentiu como nunca tinha sentido antes.

7 comentários:

  1. Tem selinho pra ti lá no blog!

    Ainda não indiqueir formalmente, mas sinta-se presenteada!

    Bjs

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  2. Oi, tem um selo pra você lá no blog hihi Beijos

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  3. Impossível saber..
    Não sabemos nem se ele realmente existe :s
    Beijos, flor!

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  4. gosto desse teu modo de desenvolver um texto.
    Maurizio

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  5. oh podes crer *.*
    que lindo, minha querida.

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  6. Olá neste sábado em meu blog minha coluna poética, uma homenagem ao grupo Roupa Nova e Bruno Martins no chá das 5. Conto com sua visitá lá.

    informativofolhetimcultural.blogspot.com

    Magno Oliveira
    Folhetim Cultural

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  7. Gostei muito de sua escrita! Muito bom aqui. Seguindo você, quero acompanhar suas postagens! rs
    Se quiser: Veja minha brincadeira com a gramática:
    http://ariannecarla.blogspot.com/2011/01/recordacoes.html

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